sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Faxina na vida (parte 1)

Hoje começo a postar um texto que escrevi sobre a minha própria vida no ano de 2009. Vou postar em partes, aqui vai a primeira.

O Pedido de Ano Novo

Desde o começo deste ano estou num período de faxina. Do mesmo jeito que às vezes simplesmente levanto e começo a tirar todos os móveis do lugar, passar vassoura, pano molhado e organizar todas as minhas coisas do nada, sem motivo e sem aviso prévio, no dia 31 de dezembro de 2008 resolvi que este seria um ano de faxina na minha vida inteira.

Foi uma escolha inconsciente, motivada provavelmente pelo cansaço que estava sentindo de tudo, tédio de viver a minha vida do jeito que ela estava. Não que a minha vida fosse ruim, de jeito nenhum, nunca reclamei dela, mas algo entre os meus 20 e os 30 anos se desgastou, é como se aos pouquinhos eu tivesse perdido o tesão pela vida, a vontade de ser eu mesma, e me deixei arrastar pela corrente do marasmo e do cotidiano.

Mas, em fim, cansei disso tudo. Comecei este ano com uma prece bem sofrida, regada a muitas lágrimas numa fria e solitária noite em Paris. Pedi, como todos os anos, ao universo, destino, vida, Deus ou quem quer que seja que esteja no comando de tudo, que tomasse conta dos meus seres queridos. Depois pedi por mim mesma, este ano pedi para mim apenas uma coisa: tirar definitivamente a S. da minha vida, se não esquecê-la, pelo menos que o fato dela existir tão longe de mim não me doesse mais.

Pedido feito, pedido concedido. Por uma arte de mágica que ainda não sei explicar, a dona S. que habitou os meus sonhos e a minha imaginação durante tantos e tantos anos simplesmente sumiu. Em menos de dois meses parei de pensar compulsivamente nela, em três meses conseguia pensar nela de vez em quando e sem sentir angustia ou dor, em seis meses parei de pensar nela quase totalmente, lembrando apenas da sua existência muito de vez em quando e apenas para desejar que esteja por ai pelo mundo sendo muito feliz.

Mas esse foi apenas o começo da mudança, uma vez tendo arrancado definitivamente as correntes que prendiam o meu coração à dona S. consegui ainda algo mais ousado, consegui pensar na possibilidade de ser feliz de novo, consegui pensar em que talvez o meu destino não fosse ficar só, como sempre achei que era, comecei a ter esperanças de encontrar alguém a quem entregar todo o amor e a dedicação que existe em mim e que durante todo este tempo foram desperdiçados numa pessoa que mal sabe o meu nome e que em toda a sua vida não deve ter gasto mais de 15 minutos pensando em mim.

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